Manifesto - Forum educação

Manifesto

Os resultados aqui apresentados estão divididos em duas partes: i) DIRETRIZES E SOLUÇÕES oriundos da análise dos temas e ii) PROJETOS SELECIONADOS a partir da submissão de boas práticas por meio de formulário eletrônico.

Com o contexto mais favorável à mudança, os professores poderão começar a trabalhar com os alunos os desafios do mundo digital, por exemplo:

1. Formação em habilidades para filtrar informação e transformá-la em conhecimento, tornando-o um sujeito crítico quanto à utilidade do que se aprende para o crescimento pessoal do jovem, diminuindo assim os riscos do mundo digital;
2. Trazendo as competências digitais (como a programação) mais próximas à realidade dos alunos e conectando isso a oportunidades reais na sua vida;
3. Gerando capacidade para que os próprios jovens sejam uma fonte de produção de conhecimento e conteúdos digitais de qualidade, isso é,uma inclusão digital mais profunda;
4. Tornar o aluno protagonista em parceria com o professor.

A educação precisa inovar em relação a currículo, práticas pedagógicas, agentes, tecnologias, gestão, avaliação, espaços e recursos. Segue as diretrizes e soluções elencadas pelos especialistas:

1. A gestão democrática e participativa se apresenta como uma alternativa para que os objetivos educacionais sejam voltados à formação integral. Entende-se que todos os sujeitos envolvidos no processo devem atuar
diretamente, garantindo maior capacidade de inovação e assertividade na aplicação de recursos financeiros.
2. A valorização dos múltiplos saberes e o incentivo ao protagonismo deve estar presente nas diretrizes institucionais. Tais diretrizes devem estar alinhadas a uma avaliação periódica do sistema educacional envolvendo o acompanhamento as atividades dos alunos, gestores e educadores visando a realização de melhorias contínuas.
3. É necessário investimento em técnicas motivacionais para os professores (e para serem usadas pelos professores), e reestruturação dos conteúdos trabalhados como caminho eficaz para a concretização
da educação, possibilitando que a escola exerça seu papel de formadora do cidadão.
4. O papel da escola deve estar de acordo com os interesses da sociedade atual, sendo necessário adaptar-se a essas novas atribuições. Para isto, todos que atuam na escola precisam estar envolvidos para que o resultado seja positivo. É dever da gestão escolar, além de se comprometer com o conhecimento teorizado, a busca da formação integral, se empenhando com a reestruturação emocional e capacitação de todos os profissionais.
5. O conhecimento deve ser aplicado para difundir a capacidade de inovação e criação no ambiente escolar. Vale lembrar que mudanças geram medo, conflitos, resistência, sendo indispensável a participação de toda comunidade para se obter sucesso.
6. A aprendizagem efetiva e significativa é obtida não somente com empenho de professores e alunos, mas também com a dedicação da comunidade escolar de forma a desenvolver competências demandadas
pela sociedade. Destas demandas, são evidenciados o pensamento criativo, clarificação da exposição de ideias, análise lógica de informações e proposições aplicadas a resolução de problemas. Este modelo de aprendizagem torna o aluno capaz de tomar decisões fundamentadas para análise de projetos, resolução de problemas e gerenciamento de conflitos.
7. O processo de gestão escolar deve ser voltado para garantir que os alunos aprendam sobre o seu mundo e sobre si mesmo, obtendo conhecimentos úteis e aprendendo a trabalhar com informações de complexidades gradativas e contraditórias da realidade social, econômica, política e científica, como condição para o exercício da cidadania responsável.

No novo modelo de ensino, o aluno é o maior responsável pelo processo de aprendizagem enquanto o professor assume papel de mediador. Sendo assim, o objetivo é capacitar os jovens a aprender de maneira autônoma,
participativa, empoderada, emancipada e, sobretudo, crítica.

1. Em primeiro plano, buscar um alinhamento geral em torno das habilidades necessárias para o século XXI, tais como cultura maker, empreendedorismo, STEM (acrônimo para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em inglês), e competências comportamentais (chamadas soft skills), ou seja, definir um planejamento estratégico para a organização tendo as habilidades para o século XXI como meta.
2. Utilizando-se deste alinhamento, estabelecer regras mais flexíveis e novas formas de avaliar e premiar as atividades do professor, contanto que ele esteja auxiliando no cumprimento dos objetivos centrais.
3. Romper com os muros da escola/universidade e buscar maior integração com a comunidade. A escola/universidade tem muito a aprender com a comunidade, e a comunidade é um terreno fértil para a reflexão e realização prática dos conteúdos discutidos na escola/universidade.
4. Utilizar recursos educacionais abertos, incentivando a produção de conteúdo, trabalho colaborativo e educação criativa.
5. Desenvolver educação emocional para gestores, professores e alunos, sobretudo envolvendo também o trato com crianças e pessoas especiais em sala de aula.
6. Usar metodologias ativas na condução e na avaliação das atividades.
7. Definir sistemas de premiação para professores inovadores/empreendedores. Tais professores precisam ser colocados como exemplos (tidos como referência) e não punidos por fugirem das regras, como ocorre nos sistemas educacionais atuais.
8. Novas formas de remuneração e carga horária de trabalho flexíveis para docentes que inovam nas suas práticas. Incentivos que propiciem professores expandirem suas ideias inovadoras em outras instituições e/ou regiões do país.
9. Estabelecer uma rede de troca e colaboração entre professores inovadores com premiações e mecanismos de apoio para propiciar a maior expansão de práticas de inovação na educação.
10. Realização de mais fóruns e eventos sobre educação do futuro como este ocorrido na Campus Party Brasília.

Percebe-se que professores e gestores não estão adeptos à Educação 3.0/4.0 e se prendem ao padrão da educação formal, com o professor sendo a única fonte de conhecimento mesmo em uma sala com dezenas de alunos conectados a plataformas digitais com Internet. Observa-se uma lacuna em relação a cultura de aprendizagem contínua, onde o indivíduo é obrigado a ir para além da sala de aula e dominar a prática do aprender em todos os lugares, o tempo todo.

1. Incentivar a formação educacional e profissional de professores e gestores para a educação 3.0/4.0.
2. Reestruturar o currículo da educação básica e superior (por meio de desafios/projetos vinculados ao mundo real, por exemplo).
3. Melhorar políticas públicas sobre acesso à informação.
4. Criar centros de aprendizagem e referência, capaz de transferir e receber conhecimentos da comunidade.
5. Criar repositórios educacionais com dados abertos e conteúdos digitalizados.
6. Priorizar a formação cognitiva, socioemocional e criativa, assim como o tratamento e inclusão de pessoas especiais.
7. Fortalecer o voluntariado voltado à educação colaborativa.

Um dos maiores desafios da educação é o de formar pessoas criativas, críticas e colaborativas, capazes de trabalhar em grupo e de solucionar problemas. A falta de autonomia do professor dificulta sua ação como mediador dentro da sala de aula, desestimulando a utilização de novas metodologias de ensino na sala de aula. Segue as diretrizes e soluções propostas:

1. O professor como facilitador: o professor deixa de ser a primeira fonte de informação e conhecimento, passando a ser o mentor que guia o aprendizado dos alunos.
2. Formas mais profundas de aprendizagem: atividades de criar e fazer que conectem os conteúdos curriculares com o mundo real e os prepara melhor para a vida na escola e fora dela, desenvolvendo habilidades
para resolver problemas e enfrentar desafios.
3. Maior uso de recursos educacionais abertos: materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa de uso livre estão se tornando uma alternativa mais acessível para escolas com falta de recursos e mesmo como opção aos materiais tradicionais.
4. Aumento de uso de sala de aula invertida: para que o tempo da sala de aula seja focado no aprendizado colaborativo, desenvolvendo projetos e trabalhos em grupos. Neste modelo de ensino, o conteúdo das aulas, como textos, vídeos e exercícios, são disponibilizados previamente através de plataformas virtuais e as aulas passam a ser mais focadas na prática. Assim, o estudante constrói de forma autônoma a sua visão sobre os conteúdos em e utiliza o tempo no ambiente acadêmico para sanar dúvidas com os professores, participar de discussões em grupo e aplicar o conhecimento adquirido em exemplos práticos.
5. Qualificação continuada do professor: modificar a metodologia de formação de professores para abranger o uso de tecnologias, uso de metodologias ativas e competências socioemocionais.
6. Reconhecer e valorizar os professor que estão inovando. Fazer, por exemplo, uma campanha com depoimentos sobre as experiências transformadoras dos professores que impactaram vidas.

PARTICIPANTES


Sanderson Oliveira de Macedo (Sandeco) – Instituto Federal de Goiás


Brunna Carolinne Rocha Silva – Instituto Federal de Goiás


Gisely Meneses de Oliveira Dantas – BPW Goiânia / Mundo de dentro


Vanessa Avelino Xavier de Camargo – Universidade de Rio Verde


Ingrid Isabela Ferreira de Oliveira – Instituto Federal de Goiás


Jessica Stephenson – Educação Livre (Sesi/Unesco)


Ana Beatriz Goldstein – Secretaria de Educação do Distrito Federal, cedida ao Senado Federal – Assessoria de Educação do Senador Izalci Lucas